A utilização de Recursos Educativos Abertos (REAs) é um dos capítulos da obra de David Wiley, OER Handbook for Educators 1.0.. Nesta obra encontram-se as várias problemáticas relacionadas com os REA, desde a pesquisa (FIND), à composição(COMPOSE) e adaptação (ADAPT), passando pela partilha (SHARE), uso (USE) e, finalmente, o licenciamento (LICENSE). O Uso de REA é um dos capítulos da obra de Willey que passa pela tentativa de explicação da forma como estes devem ser encarados tanto pelos professores como pelos alunos e, assim, integrados de forma viável e equilibrada no processo de ensino - aprendizagem.
Integrar os REAs no Processo de Ensino - Aprendizagem
Com a integração de Recursos Educacionais Abertos (REAs) ocorre uma transformação das tradicionais salas de aula que deixam de ser vistas como locais de “transmissão de saber”. Torna-se necessário que os alunos sejam mais criativos e contribuam activamente na construção do seu próprio conhecimento e, por isso, o papel do professor passa por facilitar e organizar a aprendizagem. Planear a integração de REAs no processo de ensino/aprendizagem requer a consideração de vários factores como o contexto de utilização, as características dos alunos, a combinação das tecnologias com a actividade de aprendizagem, entre outros. Para tal, devem ser considerados os seguintes oito passos:
1. Avaliar a validade e fidelidade do REA. 2. Determinar a colocação no programa, se ainda não tiver sido feito. Algumas integrações de REAs podem ser abandonadas nesta fase se o REA não estiver bem relacionado com o resto do programa.
3. Verificar a compatibilidade de licenças. (Veja Incompatibilidade de licença em License para mais detalhes) 4. Eliminar o conteúdo estranho dentro do REA.
5. Identificar as áreas de localização. (ver Adapt REA) 6. Conjugar o REA com outros materiais educativos, se for o caso. (ver Adapt REA) 7. Determinar a logística de utilização do REA. Por exemplo se for necessário imprimir algum documento ou se o REA requerer um software em particular.
8. Definir o método de avaliação ou ajustá-lo, caso já exista um associado ao REA. (ver Avaliação para mais detalhes)
Estes oito passos constituem o ponto de partida para o educador. Cabe-lhe a ele incentivar os alunos a utilizarem os REAs no desenvolvimento da sua própria aprendizagem. As aulas podem centrar-se num REA utilizado pelo professor ou no aperfeiçoamento deste. Quando se sentirem familiarizados com os REAs os alunos podem realizar actividades como editar uma página da Wikipédia e contribuir com conhecimentos adquiridos sobre a matéria ou publicar os seus próprios trabalhos ou apontamentos sobre as aulas num blogue.
A perspectiva do Aluno
A integração de Recursos Educacionais Abertos (REAs) no processo de ensino/aprendizagem permite uma maior flexibilidade de partilha de recursos por todo o mundo. Na perspectiva do discente a sua integração constitui uma mais-valia, pois o seu acesso é livre e podem contribuir para o seu crescimento pessoal e para o desenvolvimento de competências tais como: autonomia e criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas, desenvolvimento de trabalho colaborativo e capacidade de comunicação. Para além destas vantagens, os REAs podem: 1. Permitir maior flexibilidade na escolha de material de aprendizagem devido à ampla gama de assuntos e temas que oferece;
2. Economizar tempo e esforço através da sua reutilização para os quais questões como licenças e direitos de autor já foram resolvidas;
3. Promover abordagens centradas na aprendizagem ao longo da vida fazendo com que os utilizadores não se centrem apenas em conteúdos educativos, mas que desenvolvam o seu próprio E-Fólio com resultados de estudos e experiências com os colegas.
4. Favorecer o desenvolvimento de comunidades, criando ambientes de aprendizagem colaborativa (como Wikis, Blogs, redes sociais, entre outros).
A partilha e reutilização de materiais podem proporcionar novas perspectivas e conduzir ao diálogo entre professor e aluno e entre os próprios aluno. O facto do discente partilhar recursos, sejam eles apontamentos das aulas, exames e respostas modelo, faz com que ele tenha um papel participativo e não seja apenas consumidor dos conteúdos. Aqui ficam alguns exemplos de actividades que o aluno pode desenvolver durante a utilização de REAs: ·Fazer resumos de textos e/ou artigos e partilhá-los com os seus colegas em sites públicos; ·Utilizar umBookmarking/e através de ferramentas que permitam avaliar a utilidade dos recursos encontrados, construir uma rede de recomendação de recursos; ·Incentivar os docentes a utilizarem leituras de REA onde existem boas alternativas de artigos e usar oGoogle Scholar/para identificar versões de recursos abertos;
Também a revisão de REA publicados pelas instituições de ensino pode ajudar o aluno a escolher um curso que melhor se adeque aos seus interesses.
Projectos como OpenWater e Blogs and Wikis in Education são alguns exemplos de trabalhos realizados e partilhados por alunos.
A perspectiva do Professor
Antes de iniciar o uso de Recursos Educativos Abertos (REAs) deverá ter-se em conta como os integrar no processo ensino-aprendizagem. Neste sentido os oito passos descritos anteriormente (ver Integrar os REAs no processo de ensino - aprendizagem) são fundamentais.
Com o aparecimento do modelo construtivista de escola o professor é um mediador no processo de ensino-aprendizagem. É a ele que compete programar, orientar, organizar, proporcionar recursos e animar as diferentes actividades prosseguidas pelos alunos; o professor deixou de ser um mero instrutor como acontecia na escola tradicional e deixou, também, de ser um simples avaliador como no modelo da escola conducionista. O professor é agora alguém que ajuda o aluno a relacionar os novos conhecimentos com os anteriores deixando que este controle todo o processo. Neste sentido o aluno avança no conhecimento com a mediação do professor através da planificação e organização dos recursos (tempo, materiais, conhecimento das suas capacidades), da acção (actividades que conduzem à descoberta) e do controlo, o que lhe permite reflectir, observar e avaliar a própria prática. O processo didáctico fundamenta-se na aprendizagem significativa e numa metodologia inspirada na investigação-acção. No curso deste processo didáctico a utilização de recursos variados é uma mais valia e, por isso mesmo, a utilização de REAs será uma forma de colocar os alunos por um lado a investigar, por outro a criar e por outro, ainda, a avaliar o produto das suas próprias acções.
Como deverão proceder os professores no uso e promoção dos Recursos Educativos Abertos (REAs)?
Na antecâmara da sua actividade profissional - planificação de aulas e escolha de recursos – os professores deverão: 1. Adaptar e alargar os REAs já existentes para uma finalidade específica:
Quando pesquisamos REAs e utilizamos um fazemo-lo com o intuito dele ser capaz de colmatar uma falha que tenhamos (falta de um material, por exemplo para uma aula). Neste sentido os REAs que existem têm muitas vezes de ser adaptados a um caso específico, a uma aula específica, a uma determinada actividade. 2. Partilhar trabalhos de formar a colaborar no processo de somar materiais ou exemplos capazes de se tornarem REA:
Sempre que (re)criamos um novo recurso deveremos ter a responsabilidade de o partilhar com os outros porque a ideia de REA é a de utilizar, adaptar recriar e ainda a de partilhar um novo REA.
No decurso da sua actividade profissional – leccionação – os professores deverão: 1. Incentivar, no processo de ensino-aprendizagem, os alunos a aceder, utilizar e produzir REA, bem como a avaliar a qualidade dos recursos existentes:
Sempre que estamos envolvidos no processo de ensino – aprendizagem deveremos, antes de mais incentivar os alunos a aceder a plataformas de aprendizagem que tenham presentes REAs para que eles possam perceber o que é um REA, para que saibam que ele os auxilia na sua aprendizagem e para que os próprios alunos sejam capazes de produzir REAs que possibilitem a passagem do conhecimento para os seus colegas. Assim sendo incentivar os alunos no acesso, utilização e produção de REAs é um factor importante para que eles percebam a sua utilidade. Uma outra forma de os fazer perceber a utilidade do REA, bem como o de os motivar a criar bons REAs, é o de levar os alunos a avaliar-los (nomeadamente aqueles que já existem). 2. Fazer experiências com modelos de avaliação com os alunos a partir das redes sociais e sites de intercâmbio electrónico (por exemplo, os alunos poderão fazer a avaliação do trabalho uns dos outros com base em cinco estrelas):
Porque o ensino implica a avaliação tanto do processo como dos resultados, uma forma de motivar os alunos é o de lhes proporcionar a avaliação dos trabalhos uns dos outros através de medidas de avaliação visíveis (por exemplo a avaliação por estrelas).
Numa fase mais reflexiva acerca do seu trabalho os educadores, também como pesquisadores e criadores, deverão: 1. Escolher REAs com o intuito de apoiar um movimento mais capaz e com maior qualidade tanto a nível nacional como internacional:
A escolha dos REAs deverá ter como princípio o da procura dos melhores (com maior qualidade) tanto pela circunstância de serem estes aqueles que estarão mais completos, como pelo facto de serem eles os mais capazes de transmitir conhecimentos mais elaborados e completos como, pelo caso de, assim, se promover um movimento com maior capacidade intelectual tanto a nível nacional como a nível internacional. 2. Publicar materiais como REA permitindo o acesso público a:
•arquivos de matérias – chaves em sites que oferecem alojamento gratuito (por exemplo, www.flickr.com para imagens, www.slideshare.net para apresentações,www.toonlet.com para Bandas Desenhadas, entre outras);
•cursos online: actualmente existem vários cursos online que permitem a aquisição de competências não adquiridas para algumas pessoas. Esses cursos só são possíveis devido ao facto de serem disponibilizados REAs. 3. Traduzir os recursos existentes para outros idiomas diferentes do de origem:
É importante que os REAs estejam em várias línguas porque isso desenvolve não só a aprendizagem colaborativa como a possibilidade de um conhecimento mais uniformizado que entre numa rede global.
Os Desafios para a utilização de REAs móveis
O problema mais comum na utilização de um REA móvel é a largura da banda da Internet que ainda é limitada e, como tal, por vezes há dificuldades em fazer downloads. Se essa situação ocorrer o que se pode fazer é continuar a aula tendo em conta que necessitará de tempo adicional para a completar. Em alguns casos, quando a utilização do REA móvel for feito em condições precárias, o melhor será desistir de realizar a aula com o auxílio do dito recurso. Após a mesma deve-se avaliar o REA para perceber de que forma ele poderá ser simplificado para exigir menos largura de banda.
Reduzir a largura da banda, nestas situações significa, muitas vezes, reduzir o tamanho das imagens e utilizar formatos que sejam menos pesados, resumir o texto ou re-exportar os vídeos para formatos que sejam mais pequenos. É sempre recomendável experimentar o que se quer fazer utilizando a largura de banda disponível antes de o fazer em sala de aula (para formatos recomendados para a utilização em mobilidade, ver Compose ).
Outro problema comum com a utilização de versões móveis de REAs é uma incompatibilidade do dispositivo. Como mencionado anteriormente não há nenhuma forma de se poder fazer testes para todos os possíveis dispositivos móveis e, por isso, o professor deverá concentrar-se em testes relativamente a dispositivos móveis que serão utilizados durante uma situação específica. Na sala de aula ideal todos os alunos estariam a utilizar o mesmo dispositivo móvel, mas isso nem sempre é possível.
Um outro problema com a utilização de REAs móveis é o tempo necessário para que os alunos se familiarizem com a sua utilização. Embora o uso do telefone móvel seja comum entre os alunos mais jovens, nem todos sabem usar o browser do mesmo, por isso pode- -se utilizar mensagens de texto (SMS) - uma forma conhecida pelos alunos e simples para comunicar com eles -. Antes de utilizar uma versão móvel de um REA o professor deverá certificar-se de que alunos estão a perceber como utilizar o seu dispositivo móvel.
Tendo sido apurados os obstáculos na utilização das versões móveis com o uso da internet, deverá dizer-se que há oportunidades estimulantes para o blended learning que incluem a utilização de dispositivos móveis. Como se percebe daquilo que foi referido, algumas das abordagens sobre o uso móvel de REAs superam a falta de acesso a computadores e à Internet com o uso do telemóvel como um canal alternativo e inovador em termos educacionais de aplicações e serviços móveis.
A Avaliação
Como avaliar os REAs?
A forma mais eficaz de avaliar os REAs deve-se basear numa fórmula simplificada, devendo ser considerados três métodos de avaliação importantes para percebermos se os REAs são eficazes na sala de aula, ou não. Como é frequente dizermos: “tempo é dinheiro”, querendo com isto dizer que a avaliação deve ser ajustada ao tempo disponível que temos para avaliar, lembrando que o enorme dispêndio de tempo para fazer uma avaliação complexa, nem sempre se traduz em termos de resultados mais eficazes.
Métodos de avaliação:
Não existe um método único de avaliação da qualidade de REAs ou a sua eficácia nas actividades de aprendizagem. Para muitos, o aspecto mais importante a avaliar são os resultados das aprendizagens. Esta parte da avaliação é rotineira, uma vez que qualquer professor faz sempre uma avaliação sobre as aprendizagens dos alunos. E, apesar de os alunos nem sempre aprenderem, isto não significa que os REA possam ser culpabilizados. Poderão, sim, ser levantadas algumas questões sobre sua eficácia.
Outro método de avaliação é a observação das reacções do aluno. Para além de permitir descobrir se os alunos gostaram dos REAs ou não, permite ainda descobrir os "porquês" das suas preferências. Embora a estrutura das salas de aula evolua ao longo do tempo, devem-se tentar encontrar padrões de preferências dos alunos. Esta avaliação pode assumir a forma de um inquérito em suporte de papel, debates em sala de aula ou de grupos alvo. Qual o método a escolher vai depender do tempo disponível para dedicar à avaliação.
O terceiro método de avaliação é o mais difícil de aplicar, mas é o que é frequentemente chamado de "retorno sobre o investimento” (return on investment: ROI). O conceito de retorno sobre o investimento baseia-se, essencialmente, na seguinte pergunta: "Valeu a pena o investimento?" Para termos a certeza que a avaliação é totalmente rigorosa, é necessário ter em consideração o tempo gasto em cada uma das etapas dos REAs. Este método é altamente subjectivo, uma vez que só o próprio pode avaliar o valor do seu tempo. É provável que numa primeira fase a avaliação dos REAs demore muito mais do que se pensava inicialmente. É ainda normal ter problemas tecnológicos, durante a primeira utilização. Contudo, isto não deve ser desencorajador da produção e utilização de futuros REAs; à medida que forem desenvolvidas novas aptidões e aperfeiçoadas outras o tempo necessário será reduzido substancialmente. Deverá ainda ser ponderado o tempo necessário para construir os REAs do zero, relativamente a outros materiais já existentes.
Pondere enviar os seus REAs para um local que ofereça avaliações e comentários. Embora essas avaliações e comentários possam levar algum tempo a serem obtidas, pode ser uma boa maneira de saber a opinião dos outros. Plataformas populares para esta avaliação são: Wikipedia: onde se pode adicionar a um artigo existente ou criar um novo. WikiEducator e Wikiversidade: pode-se adicionar um novo projecto e contacto com colegas educadores. Flickr: sem classificação, mas os utilizadores comentam frequentemente as fotos. kaltura / TeacherTube / Youtube: os utilizadores registados podem classificar e comentar (imagem). O sistema de recomendação YouTube vai sugerir vídeos semelhantes. Kaltura permite que outras pessoas possam editar e fazer melhorias no vídeo. Overmixter e Freesound Project, relativamente à música (som): fazer o upload para o Overmixter e sons para Freesound Project.
Note-se que os utilizadores não devem ter medo de construir projectos de REAs. Há muitas boas ideias para projectos deste tipo que simplesmente não são viáveis no momento, dada a quantidade de tempo necessária, mas começando com exercícios simples de projectos de REAs, à medida que a sua confiança cresce, ao longo do tempo pode-se vir a apostar numa maior complexidade destes projectos.
Acessibilidade
Uma das barreiras na utilização dos REAs é a Acessibilidade, que é a medida das condições que as pessoas tem para aceder e utilizar tecnologias de informação e comunicação e, neste caso especificamente, o acesso ao REA. A questão da acessibilidade é um ponto importante na utilização de um REA pois o seu intuito é o de possibilitar o uso do conhecimento e entendimento da informação para as diferentes pessoas que tenham acesso ao mesmo. Para que tal seja possível os conteúdos têm de ser: flexíveis,seleccionados pelo usuário e facilmente partilháveis, reutilizáveis e de livre acesso. Para que esses objectos possam ser acedidos e utilizados por todos é necessário que apresentem algumas características, como:
a) Reutilizabilidade – podem ser modificados e utilizados em várias situações;
b) Acessibilidade – podem ser indexados e recuperados conforme a necessidade;
c) Interoperabilidade – são operacionais numa variedade de hardwares, suportes de informação e ferramentas;
d) Longevidade – mantêm as características mesmo em mudanças de versões de softwares e de plug-ins.
Quando se fala em questões de acessibilidade há dois temas que devem ser alvo de exame: a acessibilidade em relação ao uso e a acessibilidade em relação à avaliação.
1. A acessibilidade em relação ao uso: Ao usar um REA é importante não ser desencorajado por questões de acessibilidade. Pessoas com falta de habilidade tecnológica podem levar algum tempo a adaptar-se, o que é totalmente compreensível. Se não estiver familiarizado relativamente à resolução de questões de acessibilidade contacte com técnicos da sua instituição; juntos poderão ultrapassar esse problema.
Os recursos devem ser acessíveis por todas as pessoas quer sejam portadoras de deficiências ou não. Quando se trata de REAs disponíveis na Internet, alguns seguem as directrizes da W3C , que consite em dar orientações definitivas sobre a forma de criar websites acessíveis na Web (Aqui pode-se ver um exemplo de um site educacional acessível).
2. A acessibilidade em relação à avaliação: Também a avaliação on-line também deve ser acessível, sendo ela um importante factor para determinar o que está exactamente a ser avaliado (por exemplo, é a compreensão do aluno ou habilidade do aluno para utilizar a tecnologia que é alvo da avaliação?). O site JISC CETIS tem uma vasta quantidade de páginas web com avaliações acessíveis, as quais abrangem:
• Orientações e especificações para o acesso à avaliação;
• Acesso a legislação pertinente em matéria de avaliação;
• As questões de acessibilidade na avaliação;
• Acordos de exame e estratégia para a acessibilidade.
Perspectivas
De tudo aquilo que foi visto ficam, efectivamente, algumas questões por resolver, de entre as quais destacamos algumas: Será que o altruísmo por si mesmo garante uma necessidade beneficiária?
Será que a disponibilidade de REAs garante a sua necessidade?
Como escolher de entre os vários REAs que existem?
Como escolher o melhor REA para um determinado conteúdo?
Será que o REA escolhido é efectivamente o melhor e garante a captação da atenção do aluno para a efectiva aprendizagem de determinado conteúdo?
Que combinações de REAs podemos / devemos fazer enquanto educadores para garantir a melhor aprendizagem dos alunos?
Neste sentido, e porque nada nos garante que a existência de REAs por si só nos possam solucionar os problemas da educação, há que ter em conta que: 1. A disponibilidade de REAs não garante a necessidade do beneficiário;
2. O altruísmo em prol do altruísmo, ou seja, o facto de eu produzir Recursos Educativos Abertos, não garante a necessidade do seu uso.
3. Porque a oferta é abundante há que ter em conta os conteúdos a leccionar, o contexto (tipo de alunos, motivação e interesses pessoais, bem como a capacidade dos instrumentos existentes) e a situação (momento específico da aprendizagem) antes de se efectuar a escolha de um REA. Ponderar a utilização de alguns REAs e escolher apenas o mais indicado será, com efeito, o mais viável para o benefício dos alunos no seu processo de ensino-aprendizagem. 4. Em relação à utilização de REA diremos que é melhor oferecer pouco, mas bom, do que muito, mas ao qual ninguém preste atenção (por exemplo é preferível um áudio de quinza minutos para introduzir um tema em debate, do que apresentar todos os conteúdos em áudio e os alunos adormecerem).
Concluí-se que o uso de REAs não nos garante a aprendizagem ou maior motivação por parte dos alunos, mas possibilita ao professor a tentativa de melhorar as condições de ensino – aprendizagem na tentativa de promover uma maior motivação, um maior interesse e um melhor trabalho com os alunos e destes entre si.
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USE
A utilização de Recursos Educativos Abertos (REAs) é um dos capítulos da obra de David Wiley, OER Handbook for Educators 1.0.. Nesta obra encontram-se as várias problemáticas relacionadas com os REA, desde a pesquisa (FIND), à composição(COMPOSE) e adaptação (ADAPT), passando pela partilha (SHARE), uso (USE) e, finalmente, o licenciamento (LICENSE). O Uso de REA é um dos capítulos da obra de Willey que passa pela tentativa de explicação da forma como estes devem ser encarados tanto pelos professores como pelos alunos e, assim, integrados de forma viável e equilibrada no processo de ensino - aprendizagem.Integrar os REAs no Processo de Ensino - Aprendizagem
Com a integração de Recursos Educacionais Abertos (REAs) ocorre uma transformação das tradicionais salas de aula que deixam de ser vistas como locais de “transmissão de saber”. Torna-se necessário que os alunos sejam mais criativos e contribuam activamente na construção do seu próprio conhecimento e, por isso, o papel do professor passa por facilitar e organizar a aprendizagem. Planear a integração de REAs no processo de ensino/aprendizagem requer a consideração de vários factores como o contexto de utilização, as características dos alunos, a combinação das tecnologias com a actividade de aprendizagem, entre outros. Para tal, devem ser considerados os seguintes oito passos:
1. Avaliar a validade e fidelidade do REA.
2. Determinar a colocação no programa, se ainda não tiver sido feito. Algumas integrações de REAs podem ser abandonadas nesta fase se o REA não estiver bem relacionado com o resto do programa.
3. Verificar a compatibilidade de licenças. (Veja Incompatibilidade de licença em License para mais detalhes)
4. Eliminar o conteúdo estranho dentro do REA.
5. Identificar as áreas de localização. (ver Adapt REA)
6. Conjugar o REA com outros materiais educativos, se for o caso. (ver Adapt REA)
7. Determinar a logística de utilização do REA. Por exemplo se for necessário imprimir algum documento ou se o REA requerer um software em particular.
8. Definir o método de avaliação ou ajustá-lo, caso já exista um associado ao REA. (ver Avaliação para mais detalhes)
Estes oito passos constituem o ponto de partida para o educador. Cabe-lhe a ele incentivar os alunos a utilizarem os REAs no desenvolvimento da sua própria aprendizagem. As aulas podem centrar-se num REA utilizado pelo professor ou no aperfeiçoamento deste. Quando se sentirem familiarizados com os REAs os alunos podem realizar actividades como editar uma página da Wikipédia e contribuir com conhecimentos adquiridos sobre a matéria ou publicar os seus próprios trabalhos ou apontamentos sobre as aulas num blogue.
A perspectiva do Aluno
A integração de Recursos Educacionais Abertos (REAs) no processo de ensino/aprendizagem permite uma maior flexibilidade de partilha de recursos por todo o mundo. Na perspectiva do discente a sua integração constitui uma mais-valia, pois o seu acesso é livre e podem contribuir para o seu crescimento pessoal e para o desenvolvimento de competências tais como: autonomia e criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas, desenvolvimento de trabalho colaborativo e capacidade de comunicação. Para além destas vantagens, os REAs podem:
1. Permitir maior flexibilidade na escolha de material de aprendizagem devido à ampla gama de assuntos e temas que oferece;
2. Economizar tempo e esforço através da sua reutilização para os quais questões como licenças e direitos de autor já foram resolvidas;
3. Promover abordagens centradas na aprendizagem ao longo da vida fazendo com que os utilizadores não se centrem apenas em conteúdos educativos, mas que desenvolvam o seu próprio E-Fólio com resultados de estudos e experiências com os colegas.
4. Favorecer o desenvolvimento de comunidades, criando ambientes de aprendizagem colaborativa (como Wikis, Blogs, redes sociais, entre outros).
A partilha e reutilização de materiais podem proporcionar novas perspectivas e conduzir ao diálogo entre professor e aluno e entre os próprios aluno. O facto do discente partilhar recursos, sejam eles apontamentos das aulas, exames e respostas modelo, faz com que ele tenha um papel participativo e não seja apenas consumidor dos conteúdos. Aqui ficam alguns exemplos de actividades que o aluno pode desenvolver durante a utilização de REAs:
· Fazer resumos de textos e/ou artigos e partilhá-los com os seus colegas em sites públicos;
· Utilizar um Bookmarking/ e através de ferramentas que permitam avaliar a utilidade dos recursos encontrados, construir uma rede de recomendação de recursos;
· Incentivar os docentes a utilizarem leituras de REA onde existem boas alternativas de artigos e usar o Google Scholar/ para identificar versões de recursos abertos;
Também a revisão de REA publicados pelas instituições de ensino pode ajudar o aluno a escolher um curso que melhor se adeque aos seus interesses.
Projectos como OpenWater e Blogs and Wikis in Education são alguns exemplos de trabalhos realizados e partilhados por alunos.
A perspectiva do Professor
Antes de iniciar o uso de Recursos Educativos Abertos (REAs) deverá ter-se em conta como os integrar no processo ensino-aprendizagem. Neste sentido os oito passos descritos anteriormente (ver Integrar os REAs no processo de ensino - aprendizagem) são fundamentais.
Com o aparecimento do modelo construtivista de escola o professor é um mediador no processo de ensino-aprendizagem. É a ele que compete programar, orientar, organizar, proporcionar recursos e animar as diferentes actividades prosseguidas pelos alunos; o professor deixou de ser um mero instrutor como acontecia na escola tradicional e deixou, também, de ser um simples avaliador como no modelo da escola conducionista. O professor é agora alguém que ajuda o aluno a relacionar os novos conhecimentos com os anteriores deixando que este controle todo o processo. Neste sentido o aluno avança no conhecimento com a mediação do professor através da planificação e organização dos recursos (tempo, materiais, conhecimento das suas capacidades), da acção (actividades que conduzem à descoberta) e do controlo, o que lhe permite reflectir, observar e avaliar a própria prática. O processo didáctico fundamenta-se na aprendizagem significativa e numa metodologia inspirada na investigação-acção. No curso deste processo didáctico a utilização de recursos variados é uma mais valia e, por isso mesmo, a utilização de REAs será uma forma de colocar os alunos por um lado a investigar, por outro a criar e por outro, ainda, a avaliar o produto das suas próprias acções.
Como deverão proceder os professores no uso e promoção dos Recursos Educativos Abertos (REAs)?
Na antecâmara da sua actividade profissional - planificação de aulas e escolha de recursos – os professores deverão:
1. Adaptar e alargar os REAs já existentes para uma finalidade específica:
Quando pesquisamos REAs e utilizamos um fazemo-lo com o intuito dele ser capaz de colmatar uma falha que tenhamos (falta de um material, por exemplo para uma aula). Neste sentido os REAs que existem têm muitas vezes de ser adaptados a um caso específico, a uma aula específica, a uma determinada actividade.
2. Partilhar trabalhos de formar a colaborar no processo de somar materiais ou exemplos capazes de se tornarem REA:
Sempre que (re)criamos um novo recurso deveremos ter a responsabilidade de o partilhar com os outros porque a ideia de REA é a de utilizar, adaptar recriar e ainda a de partilhar um novo REA.
No decurso da sua actividade profissional – leccionação – os professores deverão:
1. Incentivar, no processo de ensino-aprendizagem, os alunos a aceder, utilizar e produzir REA, bem como a avaliar a qualidade dos recursos existentes:
Sempre que estamos envolvidos no processo de ensino – aprendizagem deveremos, antes de mais incentivar os alunos a aceder a plataformas de aprendizagem que tenham presentes REAs para que eles possam perceber o que é um REA, para que saibam que ele os auxilia na sua aprendizagem e para que os próprios alunos sejam capazes de produzir REAs que possibilitem a passagem do conhecimento para os seus colegas. Assim sendo incentivar os alunos no acesso, utilização e produção de REAs é um factor importante para que eles percebam a sua utilidade. Uma outra forma de os fazer perceber a utilidade do REA, bem como o de os motivar a criar bons REAs, é o de levar os alunos a avaliar-los (nomeadamente aqueles que já existem).
2. Fazer experiências com modelos de avaliação com os alunos a partir das redes sociais e sites de intercâmbio electrónico (por exemplo, os alunos poderão fazer a avaliação do trabalho uns dos outros com base em cinco estrelas):
Porque o ensino implica a avaliação tanto do processo como dos resultados, uma forma de motivar os alunos é o de lhes proporcionar a avaliação dos trabalhos uns dos outros através de medidas de avaliação visíveis (por exemplo a avaliação por estrelas).
Numa fase mais reflexiva acerca do seu trabalho os educadores, também como pesquisadores e criadores, deverão:
1. Escolher REAs com o intuito de apoiar um movimento mais capaz e com maior qualidade tanto a nível nacional como internacional:
A escolha dos REAs deverá ter como princípio o da procura dos melhores (com maior qualidade) tanto pela circunstância de serem estes aqueles que estarão mais completos, como pelo facto de serem eles os mais capazes de transmitir conhecimentos mais elaborados e completos como, pelo caso de, assim, se promover um movimento com maior capacidade intelectual tanto a nível nacional como a nível internacional.
2. Publicar materiais como REA permitindo o acesso público a:
•arquivos de matérias – chaves em sites que oferecem alojamento gratuito (por exemplo, www.flickr.com para imagens, www.slideshare.net para apresentações,www.toonlet.com para Bandas Desenhadas, entre outras);
•cursos online: actualmente existem vários cursos online que permitem a aquisição de competências não adquiridas para algumas pessoas. Esses cursos só são possíveis devido ao facto de serem disponibilizados REAs.
3. Traduzir os recursos existentes para outros idiomas diferentes do de origem:
É importante que os REAs estejam em várias línguas porque isso desenvolve não só a aprendizagem colaborativa como a possibilidade de um conhecimento mais uniformizado que entre numa rede global.
Os Desafios para a utilização de REAs móveis
Reduzir a largura da banda, nestas situações significa, muitas vezes, reduzir o tamanho das imagens e utilizar formatos que sejam menos pesados, resumir o texto ou re-exportar os vídeos para formatos que sejam mais pequenos. É sempre recomendável experimentar o que se quer fazer utilizando a largura de banda disponível antes de o fazer em sala de aula (para formatos recomendados para a utilização em mobilidade, ver Compose ).
Outro problema comum com a utilização de versões móveis de REAs é uma incompatibilidade do dispositivo. Como mencionado anteriormente não há nenhuma forma de se poder fazer testes para todos os possíveis dispositivos móveis e, por isso, o professor deverá concentrar-se em testes relativamente a dispositivos móveis que serão utilizados durante uma situação específica. Na sala de aula ideal todos os alunos estariam a utilizar o mesmo dispositivo móvel, mas isso nem sempre é possível.
Um outro problema com a utilização de REAs móveis é o tempo necessário para que os alunos se familiarizem com a sua utilização.
Tendo sido apurados os obstáculos na utilização das versões móveis com o uso da internet, deverá dizer-se que há oportunidades estimulantes para o blended learning que incluem a utilização de dispositivos móveis. Como se percebe daquilo que foi referido, algumas das abordagens sobre o uso móvel de REAs superam a falta de acesso a computadores e à Internet com o uso do telemóvel como um canal alternativo e inovador em termos educacionais de aplicações e serviços móveis.
A Avaliação
A forma mais eficaz de avaliar os REAs deve-se basear numa fórmula simplificada, devendo ser considerados três métodos de avaliação importantes para percebermos se os REAs são eficazes na sala de aula, ou não. Como é frequente dizermos: “tempo é dinheiro”, querendo com isto dizer que a avaliação deve ser ajustada ao tempo disponível que temos para avaliar, lembrando que o enorme dispêndio de tempo para fazer uma avaliação complexa, nem sempre se traduz em termos de resultados mais eficazes.
Métodos de avaliação:
Não existe um método único de avaliação da qualidade de REAs ou a sua eficácia nas actividades de aprendizagem. Para muitos, o aspecto mais importante a avaliar são os resultados das aprendizagens. Esta parte da avaliação é rotineira, uma vez que qualquer professor faz sempre uma avaliação sobre as aprendizagens dos alunos. E, apesar de os alunos nem sempre aprenderem, isto não significa que os REA possam ser culpabilizados. Poderão, sim, ser levantadas algumas questões sobre sua eficácia.
Outro método de avaliação é a observação das reacções do aluno. Para além de permitir descobrir se os alunos gostaram dos REAs ou não, permite ainda descobrir os "porquês" das suas preferências. Embora a estrutura das salas de aula evolua ao longo do tempo, devem-se tentar encontrar padrões de preferências dos alunos. Esta avaliação pode assumir a forma de um inquérito em suporte de papel, debates em sala de aula ou de grupos alvo. Qual o método a escolher vai depender do tempo disponível para dedicar à avaliação.
O terceiro método de avaliação é o mais difícil de aplicar, mas é o que é frequentemente chamado de "retorno sobre o investimento” (return on investment: ROI). O conceito de retorno sobre o investimento baseia-se, essencialmente, na seguinte pergunta: "Valeu a pena o investimento?" Para termos a certeza que a avaliação é totalmente rigorosa, é necessário ter em consideração o tempo gasto em cada uma das etapas dos REAs. Este método é altamente subjectivo, uma vez que só o próprio pode avaliar o valor do seu tempo. É provável que numa primeira fase a avaliação dos REAs demore muito mais do que se pensava inicialmente. É ainda normal ter problemas tecnológicos, durante a primeira utilização. Contudo, isto não deve ser desencorajador da produção e utilização de futuros REAs; à medida que forem desenvolvidas novas aptidões e aperfeiçoadas outras o tempo necessário será reduzido substancialmente. Deverá ainda ser ponderado o tempo necessário para construir os REAs do zero, relativamente a outros materiais já existentes.
Pondere enviar os seus REAs para um local que ofereça avaliações e comentários. Embora essas avaliações e comentários possam levar algum tempo a serem obtidas, pode ser uma boa maneira de saber a opinião dos outros. Plataformas populares para esta avaliação são:
Wikipedia: onde se pode adicionar a um artigo existente ou criar um novo.
WikiEducator e Wikiversidade: pode-se adicionar um novo projecto e contacto com colegas educadores.
Flickr: sem classificação, mas os utilizadores comentam frequentemente as fotos.
kaltura / TeacherTube / Youtube: os utilizadores registados podem classificar e comentar (imagem). O sistema de recomendação YouTube vai sugerir vídeos semelhantes. Kaltura permite que outras pessoas possam editar e fazer melhorias no vídeo.
Overmixter e Freesound Project, relativamente à música (som): fazer o upload para o Overmixter e sons para Freesound Project.
Note-se que os utilizadores não devem ter medo de construir projectos de REAs. Há muitas boas ideias para projectos deste tipo que simplesmente não são viáveis no momento, dada a quantidade de tempo necessária, mas começando com exercícios simples de projectos de REAs, à medida que a sua confiança cresce, ao longo do tempo pode-se vir a apostar numa maior complexidade destes projectos.
Acessibilidade
Uma das barreiras na utilização dos REAs é a Acessibilidade, que é a medida das condições que as pessoas tem para aceder e utilizar tecnologias de informação e comunicação e, neste caso especificamente, o acesso ao REA.
A questão da acessibilidade é um ponto importante na utilização de um REA pois o seu intuito é o de possibilitar o uso do conhecimento e entendimento da informação para as diferentes pessoas que tenham acesso ao mesmo. Para que tal seja possível os conteúdos têm de ser: flexíveis, seleccionados pelo usuário e facilmente partilháveis, reutilizáveis e de livre acesso.
Para que esses objectos possam ser acedidos e utilizados por todos é necessário que apresentem algumas características, como:
a) Reutilizabilidade – podem ser modificados e utilizados em várias situações;
b) Acessibilidade – podem ser indexados e recuperados conforme a necessidade;
c) Interoperabilidade – são operacionais numa variedade de hardwares, suportes de informação e ferramentas;
d) Longevidade – mantêm as características mesmo em mudanças de versões de softwares e de plug-ins.
Quando se fala em questões de acessibilidade há dois temas que devem ser alvo de exame: a acessibilidade em relação ao uso e a acessibilidade em relação à avaliação.
1. A acessibilidade em relação ao uso:
Ao usar um REA é importante não ser desencorajado por questões de acessibilidade. Pessoas com falta de habilidade tecnológica podem levar algum tempo a adaptar-se, o que é totalmente compreensível. Se não estiver familiarizado relativamente à resolução de questões de acessibilidade contacte com técnicos da sua instituição; juntos poderão ultrapassar esse problema.
Os recursos devem ser acessíveis por todas as pessoas quer sejam portadoras de deficiências ou não. Quando se trata de REAs disponíveis na Internet, alguns seguem as directrizes da W3C , que consite em dar orientações definitivas sobre a forma de criar websites acessíveis na Web (Aqui pode-se ver um exemplo de um site educacional acessível).
2. A acessibilidade em relação à avaliação:
Também a avaliação on-line também deve ser acessível, sendo ela um importante factor para determinar o que está exactamente a ser avaliado (por exemplo, é a compreensão do aluno ou habilidade do aluno para utilizar a tecnologia que é alvo da avaliação?). O site JISC CETIS tem uma vasta quantidade de páginas web com avaliações acessíveis, as quais abrangem:
• Orientações e especificações para o acesso à avaliação;
• Acesso a legislação pertinente em matéria de avaliação;
• As questões de acessibilidade na avaliação;
• Acordos de exame e estratégia para a acessibilidade.
Perspectivas
Será que o altruísmo por si mesmo garante uma necessidade beneficiária?
Será que a disponibilidade de REAs garante a sua necessidade?
Como escolher de entre os vários REAs que existem?
Como escolher o melhor REA para um determinado conteúdo?
Será que o REA escolhido é efectivamente o melhor e garante a captação da atenção do aluno para a efectiva aprendizagem de determinado conteúdo?
Que combinações de REAs podemos / devemos fazer enquanto educadores para garantir a melhor aprendizagem dos alunos?
Neste sentido, e porque nada nos garante que a existência de REAs por si só nos possam solucionar os problemas da educação, há que ter em conta que:
1. A disponibilidade de REAs não garante a necessidade do beneficiário;
2. O altruísmo em prol do altruísmo, ou seja, o facto de eu produzir Recursos Educativos Abertos, não garante a necessidade do seu uso.
3. Porque a oferta é abundante há que ter em conta os conteúdos a leccionar, o contexto (tipo de alunos, motivação e interesses pessoais, bem como a capacidade dos instrumentos existentes) e a situação (momento específico da aprendizagem) antes de se efectuar a escolha de um REA. Ponderar a utilização de alguns REAs e escolher apenas o mais indicado será, com efeito, o mais viável para o benefício dos alunos no seu processo de ensino-aprendizagem.
4. Em relação à utilização de REA diremos que é melhor oferecer pouco, mas bom, do que muito, mas ao qual ninguém preste atenção (por exemplo é preferível um áudio de quinza minutos para introduzir um tema em debate, do que apresentar todos os conteúdos em áudio e os alunos adormecerem).
Concluí-se que o uso de REAs não nos garante a aprendizagem ou maior motivação por parte dos alunos, mas possibilita ao professor a tentativa de melhorar as condições de ensino – aprendizagem na tentativa de promover uma maior motivação, um maior interesse e um melhor trabalho com os alunos e destes entre si.
Bibliografia
Córcoles, Cesar; Hornung-Prähauser, Veronika; Kalz, Marco, Schaffert, Sandra (2007). Plan of the use of Open Educational Resources (OER). OLCOS: Open E-Learning Content Observatory Services.Fontes, Carlos, Modelos Organizativos de Escolas e Métodos Pedagógicos, educar.no.sapo.
Sandra Schaffert and Dr. Guntram Geser - Elearning Papers: Open Educational Resources and Practices.
OER Commons – Open Educational Resources: Students and OER. Institute for the Study of Knowledge Management in Education (ISKME).
Tuomi, Ilkka (2006). Open Educational Resources: What they are and why do they matter (Report prepared for the OECD).
Wiley, David ed. (2008). OER Handbook for Educators 1.0
Wikiversity: Composing free and open online educational resources
Wikipedia: Acessibilidade Web
Unesco, Open Educational Resources Open Content For Higher Education - PDF